11 dezembro, 2007

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Quando o céu baixo e hostil
pesa como uma tampa
Sobre a alma que, gemendo,
ao tédio ainda resiste
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Apollinaire, in Spleen de Paris
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05 dezembro, 2007

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as if the curtain had just risen on a drama
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28 novembro, 2007

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as mãos contando-me histórias
os dedos aconchegando-me o cansaço
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a voz vestida de nacarada sabedoria
o olhar disponível a escutar a insensatez
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olhar guardião, rompendo o silêncio
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como espuma que na areia esvaece
sou, de medos ausentes
lastro abandonado
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há um caminho debaixo dos passos,
em fio de prumo
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atrás da porta, danço
como se ninguém me visse
canto como se ninguém me ouvisse
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e do meu caos fazes ordem
e me iluminas
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20 novembro, 2007

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Em que curva do caminho me torno poeira e cinza?
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19 novembro, 2007

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vermelho teatralidade
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o Nada ocorre
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silenciosamente
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o tempo pertence-nos
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indelével
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porque sim
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17 novembro, 2007

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Enamoramentos.
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12 novembro, 2007

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tudo se faz e se desfaz

com mãos se faz o poema

e são a paz

se rasga o mar

não são de pedras

estão no fruto

e na palavra

as mãos

que são o canto

e cravam-se no Tempo como farpas
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segundo Manuel Alegre. O Canto e as Armas, 1967
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09 novembro, 2007

outonando...

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doura-se o chão, e se forra de manso manto
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Islington Fields, Londres.
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30 outubro, 2007

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Lugar de Rhodes, lugar do exíguo.
Silencioso e secreto, subtil e extenuante, o lugar do pensamento.
Devaneio. Coesão.
Lugar de permeio. Receio. Recreio.
Nele sou.
E o povoam anjos e diabos, fadas, monstros e outros que tais. Pecados mortais, Virtudes teologais.
E em danças frenéticas, arrebatadas, imprudentes.
E em bailes ordeiros, disciplinados, instruídos.
Eles, os pensamentos. Céleres. Em marcha lenta.
Acodem. Acorrem. Abeiram-se. Perduram. Partem.
Eles. Andam aí. Por aí… os pensamentos.
Contidos. Incontidos. Tenebrosos. Temerosos.
E neles me quedo, e em viagem parto. Neles me avesso. Adverso. Atravesso.
Parto. Fico. Teimo.
Cedo. A eles me rendo. Ou reino, sobre.
Soberana. Tributária.

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Um dia, hei-de deixá-los livres.

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27 outubro, 2007

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Diz-me de caminhos e de caminhadas.
Fala-me de viagens. Dos sonhos acordados.
Conta-me histórias.
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20 outubro, 2007

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cidade minha...
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16 outubro, 2007

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porque o Sol,
embora todos os dias nasça,
embora para todos nasça,
não brinda todos, com igual esplendor
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15 outubro, 2007

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... que outros teriamos sido?
... que vidas outras teriamos vivido?
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14 outubro, 2007

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mãos hábeis
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12 outubro, 2007

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a pedra. robusta. raiz
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o tempo. infindo, fugitivo, nulo
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metamorfose.sucedimento
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Vida e Morte

termo e recobro
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e na sua forma mais simples
,entre sombras,
, canduras,
a vida a teimar vingar
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10 outubro, 2007

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linhas paralelas
comboios
estações e apeadeiros
lugares de partida e de chegada
despedida e reencontro
lugares de emoção
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09 outubro, 2007

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Há um lugar mais alto de onde se avista placidez e plenitude.
Onde se faz calmaria. Silêncio, onde se adivinha suave cântico.
Movimento que embrulha, leva e devolve. Incessante encantamento.
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Núvens... o fenómeno natural que mais e sempre me deslumbra.
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07 outubro, 2007

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. Londres. Metro Baker street.
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Apenas o sorriso :)
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02 outubro, 2007

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Há caminhos que correm como rios. Que se não travam. E nos deixam a fantasiar, para lá curva onde se quebram, uma mistura promíscua de azuis de céu e mar.
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30 setembro, 2007

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Porto. Palácio do Freixo.
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Das namoradeiras observam-se as vidraças.
Por detrás das vidraças vidas se viveram.
Que vidas delas espreitaram o caudaloso rio?
Que desejos de o abarcar, e de nele embarcar, rumo a que rumos?
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29 setembro, 2007

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..
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porque há grades
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do
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inconfessável
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26 setembro, 2007

25 setembro, 2007

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Porque me apetecem coisas simples. Descomplicadas.
Cheiro a terra. Mãos na terra.
Troquei as flores do canteiro.
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24 setembro, 2007

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. Lisboa, Convento da Madre de Deus
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Do profano e do divino.
Tela, madeira, ouro, pedra e azulejo.
Linguagens entre Deus e os homens.
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22 setembro, 2007

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Porque a Vénus de Milo é tão bela como o binómio de Newton.
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e o automóvel de corrida quanto a Vitória de Samotrácia.
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:) foi para o que hoje me deu...
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21 setembro, 2007

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.Ascensor da casa Ramiro Leão, ao Chiado
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Subia, descia, levava, trazia.
Lembro-o, atulhado de sacos de compras e presentes de Natal. Espaço acanhado, onde a elegância se cumprimentava.
Antigo Ramiro Leão onde, a quilo, a litro ou a metro, se formatavam desejos.
Cremes, perfumes e pó-de-arroz, rendas e bordado inglês, outros tantos atractivos de ilusão.
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Que as mulheres têm a capacidade imensa de se fazerem felizes com os mais pequeninos nadas :)
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20 setembro, 2007

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. Festival de Música de Óbidos
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Entre o dia que adormece e a noite que cai, o espaço envolvente embriaga.
Em frente, quase o interminável; por detrás, as muralhas contando quaisquer enredos que a imaginação consinta.
E é uma aragem morna a circular sorrateira, que importa se nela os muitos sons se dispersam...
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18 setembro, 2007

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Há um tempo em que, durante muito tempo, acreditamos todos serem eternos.
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À minha avó, que hoje faria 97 anos.
Com ela aprendi que a simplicidade é sempre boa norma.
PequenosGrandesNadas.
Grande mestra. Chama que se não extingue.
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17 setembro, 2007

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CCB. Colecção Berardo
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Tintas. Trabalhos.
A Cores.
Coloridos
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LUZ e COR
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porque é preciso haver luz para que a cor se faça.
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Bancas de feira, lojas de antiguidades...
Um pano negro ou vermelho, um outro a servir de tecto a abrigar,
lugares sombrios, recantos silenciosos, aromas amadeirados, soalhos encerados.
Descoberta. Surpresa. Encanto.
Quem as tocou? Que emoções sentiu?
Presentes e perdas. Alegria e mágoa.
Que narrativas escutaram? A que vidas assistiram? Porque mãos passaram?
Antiguidades ou velharias, transportam uma história. De cujo porvir somos responsáveis.
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